Novo ano…

Nas badaladas da meia-noite, comemos passas, bebemos champanhe e temos na mente uma lista de objetivos a serem concretizados no novo ano. Anos após anos fazemos o mesmo e muitos dos objetivos se repetem e não os materializamos.

Debruçamo-nos mais, ao longo da nossa existência, no Ter, no Fazer e tão pouco no Ser. Engendramos caminhos para alcançar os bens materiais e tão pouco nos preocupamos em mudar a maneira de Ser. Continuamos com velhos padrões egocêntricos, em que vivemos em função do amealhar, desfrutar e tão pouco do partilhar.

Cada vez mais se comprova que o nosso mundo exterior é um reflexo do nosso mundo interior, em que se eu apenas pensar no meu bem-estar, permanecendo numa postura egoísta, o que me rodeia será igualmente o egoísmo. Muitas pessoas se queixam que a sociedade em que vivemos é muito pouca justa, as assimetrias sociais são escabrosas, os serviços públicos intoleráveis e a política corrupta. Não será este o reflexo do nosso mundo interior? O que existirá dentro de nós que está a alimentar esta sociedade tão pouco justa?

É verdade que novos ventos sobrevoaram as nossas cabeças, em que o sofrimento experimentado na nossa própria pele nos acordou, mas quanto ainda falta fazer… tanto quanto o nosso mundo interior desejar.

O ser humano é detentor de uma força inigualável na natureza, tanto construímos como destruímos, de acordo com nossa natureza intima transformamos o mundo ao nosso redor.

Muito mais que uma lista de objetivos com “coisinhas para conquistar” alarguemos o que nos permite vencer verdadeiramente na vida, a abertura do nosso coração, deixemos sair de dentro de nós o que todos temos de melhor, a compaixão, a partilha, a união, a fraternidade e as nossas conquistas não serão só nossas, serão a de muitos e o sabor a vitória esse sim será a dobrar.

Sejamos senhores do nosso destino e não só da nossa casa e do nosso carro. Tenhamos a possibilidade na nossa vida de colecionar sorridos e abraços dos que ajudamos e possamos respirar felicidade todas as manhãs quando saímos de casa e nos dirigimos aos nossos locais de trabalho e que esses sejam também o reflexo de uma vida sadia. Que o objetivo primordial para o novo ano seja em torno do Ser, pois o mais certo é não necessitarmos a partir daí de nos preocuparmos com o Ter.