Para amar, é preciso crescer e deixar crescer

Por vezes há a tendência de mascarar a realidade, fugindo das conversas que mostram a verdade da relação amorosa. Desta forma qualquer atitude, qualquer comportamento que coloca em risco o núcleo de vivência mútua idealizado, tem uma má conotação, sendo vista como uma ameaça à relação. Assim, quando um dos cônjuges expõe a realidade, o outro reage subtilmente manifestando um incómodo que muitas vezes passa pela desacreditação da pessoa que tenta chamar a razão.

O companheiro que tenta trazer a realidade para a relação muitas das vezes é apelidado de neurótico ou que está doente, cansado, deprimido e diz-se que a seu tempo ficará melhor e tudo passa. Esta atitude de anulação da verdade é maioritariamente inconsciente, mas que tem o intuito de anular a verdade.

Esta forma de se relacionarem é construída na fase inicial da relação, em que ambos os envolvidos passam a agir como personagens que desempenham um papel que se repete ilusoriamente. Esta atitude resulta da vontade de não perder a construção que se fez do parceiro que se deseja, assim como uma recusa em vivenciar novamente situações angustiantes do passado, que para sua vontade estaria resolvida para todo o sempre.

Este tipo de atitude naturalmente leva ao rompimento da relação, tratando-se de uma interação doentia, fantasiosa, que perante as adversidades da vida tem tendência ao desmembramento. As verdadeiras facetas dos intervenientes revelam-se, caiem as mascaras, dando lugar a uma alimentação da nostalgia, por um sonho que se construiu baseado em fantasia.

No fundo são pessoas que desejam manter inquebrantável o que os atraiu num primeiro momento, as sensações primárias que deram lugar à vontade de viverem juntos para sempre, nem que para isso tenham de permanecer dolorosamente num fato no qual já não se cabe porque a natureza obriga a crescer.

Todos conhecemos a expressão casaram-se e foram felizes para sempre, no entanto a narrativa do que se sucedeu depois do casamento não é conhecida, como se o ato de casar fosse um fim em si mesmo.

Ser autentico é sem dúvida um ato de coragem, principalmente num mundo como o de hoje em nos ensinam que cautela e caldos de galinha não fizeram mal a ninguém. Abrir-se naturalmente à relação com o outro, sem perder a sua própria identidade, torna-se um esforço imprescindível. É necessário desenvolver uma capacidade de empatia contínua, sem forçar uma fusão doentia. Uma relação saudável permeia a autenticidade dos intervenientes, a aceitação e o esforço para ultrapassar as naturais intempéries de uma relação a dois e a anulação de fantasias concebidas nos estágios mais primitivos da existência. Amar é crescer.

Abra-se ao Amor!