Treine o seu cérebro: atividades para séniores (e não só!) – Escrito por Sofia Teixeira com entrevista a Patrícia Moreira, psicóloga clínica

Esqueça o ditado que diz “burro velho não aprende línguas” e abandone a ideia de que é normal a partir de certa idade as capacidades cognitivas começarem a diminuir. Com os estímulos certos – pode descobrir neste artigo quais – os séniores podem aprender muitas coisas novas e manter o seu raciocínio intacto.

Há mais de três décadas que se sabe que as nossas capacidades, apesar de influenciadas por alguns pré-determinismos genéticos, são definidas, desenvolvidas e moldadas sobretudo pelo ambiente. A neuroplasticidade é resposta adaptativa à experiência, o que quer dizer que o nosso cérebro desenvolve alterações estruturais e funcionais através de novas conexões entre os neurónios. Mais: esta é uma capacidade que se mantem até ao fim dos nossos dias. Resumindo, esta fantástica “máquina” que comanda as nossas vidas, o cérebro é, em parte, o que fazemos dela.

Quer isto dizer, em termos práticos, que qualquer um pode treinar o seu cérebro para manter as capacidades que têm e desenvolver novas. E os idosos não são exceção. Como? Bom, a neuroplasticidade está sobretudo ligada à experiência e à aprendizagem.

A psicóloga clínica Patrícia Moreira, refere que, no sentido de promover a capacidade cerebral e a longevidade, há um leque de capacidade que é imperioso estimular. A saber: memória, atenção, concentração e coordenação motora; socialização, raciocínio; noção espacial, bem como explorar os cinco sentidos e a perceção e estimular a criatividade e a concentração.

Dezenas de estímulos simples e eficazes

Treinar o cérebro não passa apenas por fazer palavras cruzadas e sudokus! Veja esta lista dicas e exemplos de estímulos que nos deixou a psicóloga clínica Patricia Moreira.

1) Atividades como nadar, dançar, fazer ginástica, ouvir ou tocar música, jogar xadrez e as artes, como por exemplo, o desenho e a pintura, melhoram o desempenho cerebral já que são utilizadas várias partes do cérebro simultaneamente.

2) O bingo, o scrabble, o xadrez e o bridge são bons exemplos de jogos que requerem o uso de habilidades como o raciocínio, o processamento e a abstração, uma vez que exigem a resolução de problemas, vendo todos os padrões e definindo estratégias.

3) Realizar de projetos complicados desenvolve as habilidades cognitivas complexas, por exemplo, assumir tarefas como o planeamento de uma grande refeição, um jardim ou uma colcha.

4) Ouvir música neurológica, isto é, música instrumental ou coral cujo ritmo, andamento e harmonia atinja todos os níveis do consciente e do inconsciente a fim de repor o equilíbrio da energia psíquica. Sugere-se música New Age e outras como Chariots of Fire, Symphony in C de Bizet, Symphony Nº4 de Mahler.

5) Um outro meio para melhorar a cognição de nível superior é através de jogos de vídeo. Um número crescente de títulos estão disponíveis comercialmente, muitos dos quais não só ajudam a melhorar a forma mental, mas também, simultaneamente, a aptidão física.

A idade traz sabedoria

“Persiste a ideia de que com o avançar dos anos as pessoas ficam senis e a inteligência esvai-se. É mentira”, afirma Patrícia Moreira. De acordo com a psicóloga, uma mente saudável não perde a inteligência mesmo aos 90 anos de idade, “a inteligência assume, todavia, outras características. É “mais reflexiva e mais sábia, amadurece com a ajuda da experiência de vida, o aprofundamento do saber, do julgamento, da habilidade no comportamento social, de um maior controlo das emoções.”

Um cérebro ativo e estimulado por diferentes desafios revela-se naturalmente mais perspicaz, mais hábil e naturalmente mais capaz de responder às solicitações do pensamento. A “potência cerebral ótima” pode ser atingida através de um estilo de vida sadio, uma alimentação equilibrada e ginástica cerebral adequada. E mais ainda: “as pessoas bem treinadas podem prolongar por mais 10 a 15 anos a sua vida ativa na condução de projetos e organizações.”

Dois treinos essenciais

Treinar o pensamento positivo! Quando as pessoas se permitem ter pensamentos negativos, elas segregam inibidores químicos que bloqueiam ou limitam o fluxo de impulsos eletroquímicos. Por outro lado, ao ter pensamentos positivos, segregam neurotransmissores que facilitam o pensamento, a aprendizagem e a criatividade. Como? Mudar a “autoconversa” com o cérebro (estado mental positivo). Fazer uma autoavaliação honesta. Tomar a decisão de mudar. Estabelecer uma meta positiva. Escolher torna-se um otimista!

Treinar desafios e novidades! Quanto mais usarmos o cérebro (independente da idade), mais alta se mantem a nossa performance. O cérebro permanece mais denso, quanto mais o usarmos. Quando o cérebro é estimulado por desafios e novas experiências, novas conexões entre neurónios são formadas que, por sua vez, formam permanentes caminhos neuronais. Como? Criar novos desafios. Pensar fora do habitual: ser criativo. Sair da zona de conforto. Expor-se ao que é novidade. Aprender coisas novas. Mudar efetivamente.

Fonte: Patrícia Moreira 

Em resumo, “quanto maior for a cultura da pessoa, o seu envolvimento na vida, a sua rede de contactos e interesses e a sua ‘ginástica mental’, mais garantias tem de se conservar mentalmente jovem e ativa, pronta para continuar a ser um elemento útil e desejado pela sociedade”, declara Patrícia Moreira. Pelo contrário, deixa também o alerta: se descansar “à sombra” da reforma, se deixar passar os anos sem fazer algo de novo, sem aprender coisas diferentes, sem quebrar rotinas rígidas, a sua mente declinará mais rapidamente. Fazer uso da inteligência é vital para a manter!

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